Justiça manda soltar ‘Rei do Lixo’ suspeito de esquema com emendas parlamentares

A Justiça Federal determinou nesta quinta-feira (19) a soltura do empresário Marcos Moura, conhecido como “Rei do Lixo” na Bahia, em decisão proferida pela desembargadora Daniele Maranhão, do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (TRF-1).

O “Rei do Lixo” estava preso preventivamente desde a deflagração da Operação Overclean, realizada pela Polícia Federal na semana passada, que investiga esquemas de desvio de recursos públicos, corrupção e fraudes em licitações.

A decisão também concedeu liberdade a outros investigados, incluindo o vereador eleito Francisquinho Nascimento. Durante as apurações, Nascimento foi flagrado arremessando uma bolsa contendo dinheiro vivo. A magistrada considerou que não há elementos que justifiquem a manutenção das prisões preventivas, afastando o risco de destruição de provas. Em substituição, foram impostas medidas cautelares, como o uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de contato entre os investigados.

A Operação Overclean envolveu o cumprimento de 17 mandados de prisão, além de buscas, apreensões e o bloqueio de bens avaliados em R$ 162 milhões. Segundo as investigações, Moura liderava um esquema de superfaturamento em contratos de licitação, direcionados a empresas previamente escolhidas. Os recursos desviados tinham origem em emendas parlamentares destinadas a obras públicas.

A apuração começou após a apreensão de R$ 1,5 milhão em espécie pela Polícia Federal em um voo que partia de Salvador com destino a Brasília. O dinheiro, supostamente coordenado por Moura, seria utilizado para pagamento de empresários envolvidos no esquema. Além disso, uma planilha encontrada no avião detalhava contratos e valores que somavam mais de R$ 200 milhões, distribuídos entre projetos suspeitos no Rio de Janeiro e no Amapá.

Marcos Moura, que integra o diretório nacional do partido União Brasil, é apontado como figura central no esquema. Documentos obtidos pela PF relacionam o empresário a contratos fraudulentos e repasses milionários envolvendo governos estaduais.

O caso segue sob investigação, enquanto os suspeitos responderão em liberdade às acusações.


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