O assassinato do cabo da Polícia Militar Fabrício Gomes de Santana, de 40 anos, foi planejado e executado por membros do Primeiro Comando da Capital (PCC), aponta um relatório da PM divulgado nesta segunda-feira (12). O crime teria sido motivado por uma discussão entre o agente, que estava de férias, e um traficante em uma comunidade da Zona Sul da capital.
De acordo com as investigações, na última quarta-feira (7), Fabrício visitava familiares na favela Horizonte Azul quando advertiu um homem que consumia cocaína dentro de uma adega. O suspeito, ligado à facção, teria acionado lideranças locais. O “tribunal do crime” decidiu pela execução do cabo sob o argumento de que sua presença como policial oferecia riscos às atividades do tráfico na região.
Cronologia da barbárie A polícia identificou cinco membros da facção diretamente envolvidos: três mandantes, que deram a ordem de execução, e dois executores.
- Quinta-feira (8): O PM foi rendido, teve sua arma roubada e foi levado para um bar, onde teria sido executado. No mesmo dia, seu carro foi encontrado carbonizado em Itapecerica da Serra.
- Domingo (11): Após dias de buscas, cães farejadores localizaram o corpo enterrado em um sítio em Embu-Guaçu.
- Segunda-feira (12): A Polícia Técnico-Científica confirmou a identidade da vítima. Um laudo preliminar apontou que Fabrício sofreu tortura e morreu devido a um traumatismo craniano.
Prisões e luto Até o momento, nove pessoas foram detidas: cinco membros identificados do PCC e outros quatro suspeitos com ligação temporária com o crime. Apesar das identificações, a Polícia Civil ainda não formalizou o pedido de prisão preventiva dos líderes apontados no relatório.
O caso ganha contornos ainda mais trágicos pelo aspecto pessoal: o cabo Fabrício tinha o casamento civil marcado para a próxima quarta-feira, apenas dois dias após o seu sepultamento. O enterro acontece na tarde desta segunda-feira (12), no Cemitério Cerejeiras, no Jardim Ângela.