Cerca de 2.000 pessoas morreram durante as recentes manifestações no Irã, incluindo manifestantes e integrantes das forças de segurança, segundo afirmou nesta terça-feira (13) um funcionário do governo iraniano à agência Reuters. É a primeira vez que autoridades do país reconhecem oficialmente um número tão elevado de vítimas após duas semanas de protestos e confrontos em diferentes regiões.
O representante falou sob condição de anonimato e atribuiu as mortes ao que classificou como ações de “terroristas”, sem detalhar quantos dos mortos eram civis ou agentes de segurança. A declaração contrasta fortemente com os dados divulgados por organizações independentes.
A Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, sediada nos Estados Unidos, contabiliza ao menos 646 mortos até o momento, número considerado confiável por observadores internacionais em episódios anteriores. A discrepância entre os dados reforça as dificuldades de apuração no país, agravadas pelas restrições às comunicações, como bloqueios de internet e interrupções telefônicas, que impedem verificações independentes.
Maior desafio interno em anos
Os protestos foram desencadeados pela grave crise econômica e já são considerados o maior desafio interno ao regime iraniano em pelo menos três anos. No poder desde a Revolução Islâmica de 1979, as autoridades clericais adotaram uma estratégia dupla: reconhecem a legitimidade das manifestações motivadas por dificuldades econômicas, mas respondem com repressão severa, ao mesmo tempo em que acusam Estados Unidos e Israel de fomentarem a instabilidade.
Na segunda-feira (12), em meio ao agravamento da repressão, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a imposição de uma tarifa de 25% a qualquer país que mantenha relações comerciais com o Irã.
“Com efeito imediato, qualquer país que faça negócios com a República Islâmica do Irã pagará uma tarifa de 25% sobre todas as transações realizadas com os Estados Unidos da América. Esta ordem é definitiva”, escreveu Trump na rede social Truth Social.
Prisões em massa e falta de dados oficiais
Segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos, mais de 10.600 pessoas foram detidas durante as duas semanas de protestos. O governo iraniano, no entanto, ainda não divulgou um balanço oficial detalhado de mortos, feridos e presos.
Com o apagão informacional imposto pelas autoridades, imagens divulgadas nas redes sociais mostram supostamente dezenas de corpos em um necrotério nos arredores de Teerã, mas o material não pôde ser verificado de forma independente.
A escalada da violência, somada às sanções internacionais e às ameaças de novas medidas econômicas, aumenta a pressão sobre o regime iraniano e aprofunda o clima de instabilidade em um país já marcado por dificuldades econômicas e tensões geopolíticas.