A rede social X (antigo Twitter) voltou a funcionar na Venezuela na noite desta terça-feira (13), encerrando um bloqueio que durava mais de 17 meses. A plataforma havia sido suspensa em agosto de 2024 por ordem de Nicolás Maduro, logo após as eleições presidenciais contestadas por fraude e marcadas por intensa censura à imprensa.
Desde a proibição, o acesso à rede só era possível por meio de redes privadas (VPN). O retorno da plataforma coincide com a mudança drástica no cenário político do país, após a captura de Maduro por forças especiais dos Estados Unidos em 3 de janeiro, em uma operação ordenada por Donald Trump.
Cúpula do chavismo retoma publicações
A reativação do acesso foi confirmada por altos funcionários do regime que permanecem no país durante a transição. A presidente interina, Delcy Rodríguez, que assumiu o comando com aval de Washington, usou a conta oficial para marcar o retorno. “Retomamos o contato por esta via. A Venezuela segue de pé, com força e consciência histórica”, publicou.
O ministro do Interior, Diosdado Cabello, também reativou seu perfil com um cumprimento aos “irmãos e irmãs que estiveram pendentes da Venezuela”.
Publicações em nome de Maduro e Cilia Flores
Apesar de estar sob custódia da justiça americana processado por crimes de narcotráfico, a conta oficial de Nicolás Maduro no X também registrou atividade. Uma fotografia do ex-líder ao lado da esposa, Cilia Flores, foi postada com a legenda: “Queremos vocês de volta”. Em outra publicação, uma mensagem afirma que “transcorreram 11 dias de seu sequestro”, referindo-se à operação militar americana ocorrida no início do mês.
Relembre o bloqueio
Em 8 de agosto de 2024, Maduro acusou o proprietário da plataforma, o empresário Elon Musk, de participar de um “golpe de Estado cibernético”. Na ocasião, o ex-ditador deu um prazo de 10 dias para a empresa apresentar documentos às autoridades venezuelanas, o que resultou no bloqueio total que isolou o país de seu principal canal de informação em tempo real.
Agora, com o levantamento da restrição, órgãos oficiais e ministros voltam a utilizar a ferramenta em meio ao processo de transição governamental e à presença de tropas americanas no território.