O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conversou por telefone, nesta quarta-feira (14), com o presidente da Rússia, Vladimir Putin, em um diálogo que teve como principal foco a crise na Venezuela. A ligação partiu do governo brasileiro, segundo confirmou o Palácio do Planalto, que informou ainda que divulgará uma nota oficial sobre o teor da conversa.
De acordo com comunicado divulgado pelo Kremlin, os dois líderes trocaram avaliações sobre o cenário internacional, com ênfase na situação venezuelana. Rússia e Brasil ressaltaram posições convergentes em defesa da soberania e dos interesses nacionais da Venezuela, além da necessidade de redução das tensões na América Latina.
O telefonema ocorreu 11 dias após a operação militar dos Estados Unidos realizada em 3 de janeiro de 2026, que resultou na captura do então presidente venezuelano Nicolás Maduro e de sua esposa, Cilia Flores. Ambos foram levados para Nova York, onde devem responder a processos judiciais. O episódio intensificou o debate internacional sobre os rumos políticos da Venezuela e os limites do uso da força nas relações internacionais.
Durante a conversa, Lula e Putin também concordaram em coordenar esforços diplomáticos para a diminuição de tensões não apenas na América Latina, mas em outras regiões do mundo. Segundo o governo russo, essa articulação deve ocorrer por meio de fóruns multilaterais, como a Organização das Nações Unidas (ONU) e o Brics. Além disso, foram discutidos temas relacionados à cooperação bilateral em diferentes áreas.
Os dois presidentes destacaram ainda a importância da Comissão de Alto Nível Russo-Brasileira, cuja próxima reunião está prevista para fevereiro de 2026. O encontro deverá aprofundar os temas tratados no telefonema e avançar na agenda de cooperação entre os dois países.
A ligação com Putin integra uma série de contatos internacionais feitos por Lula nos últimos dias. Na semana passada, o presidente brasileiro conversou com líderes da Colômbia, do México, do Canadá, de Portugal e da Espanha para discutir a crise venezuelana. Em todas as conversas, Lula criticou o uso da força sem respaldo do direito internacional, defendeu soluções pacíficas e reiterou o compromisso do Brasil com o multilateralismo.