O Conselho de Segurança das Nações Unidas vai se reunir em caráter de urgência nesta quinta-feira para discutir a situação no Oriente Médio, em meio ao aumento das tensões entre Irã e Estados Unidos e a uma onda de protestos contra as autoridades iranianas que, segundo ativistas, já resultou em milhares de mortos e dezenas de milhares de detidos.
A reunião do grupo formado por 15 países está marcada para 15h (horário de Nova York), conforme informou a porta-voz do secretário-geral da ONU, António Guterres. O encontro ocorre a pedido dos Estados Unidos, enquanto a atenção internacional se volta para a repressão às manifestações no Irã.
Em entrevista coletiva nesta quarta-feira, o porta-voz da ONU, Stéphane Dujarric, afirmou que a organização está “extremamente preocupada” com a situação no país, especialmente com “as imagens que estão surgindo de manifestantes mortos pela violência durante os protestos”.
“Queremos que as pessoas estejam seguras enquanto protestam pacificamente, um direito reconhecido em qualquer parte do mundo”, disse Dujarric ao ser questionado sobre o pedido de Teerã para que a ONU condene as ameaças dos Estados Unidos de um possível ataque ao território iraniano.
O porta-voz também reiterou a oposição firme da ONU à pena de morte em todas as circunstâncias, após a ONG curdo-iraniana Hengaw denunciar que o jovem Erfan Soltani, de 26 anos, enfrentava uma execução “iminente” depois de um “processo judicial rápido e opaco”, após ser preso durante os protestos.
Nesta quinta-feira, porém, o regime iraniano negou que Soltani será executado. Em comunicado, o Poder Judiciário do Irã afirmou que o jovem “não foi condenado à morte” e que, em caso de condenação, a pena prevista seria prisão, já que a pena capital não se aplica a esse tipo de acusação.
As manifestações em todo o país, que desafiam a teocracia iraniana, aparentavam estar sendo contidas nesta quinta-feira, uma semana depois de as autoridades isolarem o país do exterior e intensificarem uma repressão violenta. Em Teerã, testemunhas relataram que, nas últimas manhãs, não havia vestígios de fogueiras ou destroços nas ruas, e que o som de disparos, intenso em noites anteriores, cessou.
A repressão às mobilizações já provocou ao menos 3.428 mortes, segundo a Agência de Notícias de Ativistas de Direitos Humanos (HRANA), sediada nos Estados Unidos, que alertou que o número pode aumentar. O total supera o registrado em qualquer outro ciclo de protestos ou distúrbios no Irã nas últimas décadas.
Na quarta-feira, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, fez declarações sem detalhar quais medidas pretende adotar — ou se adotará alguma — contra o Irã. O presidente afirmou ter sido informado de que os planos de execução no país teriam sido suspensos, mas não apresentou mais detalhes. A mudança de tom ocorre um dia depois de Trump dizer aos manifestantes iranianos que “a ajuda está a caminho” e que seu governo “agiría de acordo” diante da repressão violenta promovida pela República Islâmica.
O embaixador permanente do Irã na ONU, Amir-Saeid Iravani, revelou o envio de uma carta a António Guterres e ao presidente do Conselho de Segurança, Abukar Dahir Osman, pedindo que rejeitem “de forma inequívoca todas as formas de incitação à violência, as ameaças de uso da força e a ingerência nos assuntos internos do Irã por parte dos Estados Unidos”. Teerã acusa Trump de “incitar abertamente a violência e a desestabilização” ao incentivar manifestantes a “assumirem o controle” das instituições.
Já o ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, buscou adotar um tom mais conciliador e pediu a Washington uma solução negociada. Em entrevista à Fox News, ao ser questionado sobre o que diria a Trump, afirmou: “Minha mensagem é: entre a guerra e a diplomacia, a diplomacia é um caminho melhor. Embora não tenhamos experiências positivas com os Estados Unidos, ainda assim a diplomacia é muito melhor do que a guerra.”