O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), sinalizou, nesta terça-feira (3), que a instauração de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para apurar as irregularidades praticadas pelo Banco Master não deve ocorrer tão cedo. De acordo com Motta, o requerimento proposto pelo deputado federal Rodrigo Rollemberg (PSB-DF) entrará no fim da fila de um processo que inclui ao menos 13 outros pedidos de CPI.
“Nós temos aqui uma fila de CPIs. Essas CPIs são tratadas na ordem cronológica. No ano passado, nós tivemos em torno de 15, 16 CPIs protocoladas. Nós acabamos não instalando nenhuma e agora nós vamos fazer o debate sobre essas CPIs”, disse Motta.
Como justificativa, o parlamentar reforçou a necessidade de obediência à ordem cronológica, além de lembrar de uma regra da Casa, que limita a realização simultânea de CPIs a cinco. “Se for decisão da Presidência instalar, e nós vamos no momento certo estar tratando dessa pauta de CPI”, completou.
A ideia da CPI já é apoiada tanto pela oposição quanto pelo governo. Em seu último dia como líder do PT na Câmara, o deputado Lindbergh Farias (RJ) declarou que a bancada do partido assinará tanto o pedido de CPI quanto um pedido de CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito), proposta das deputadas Fernanda Melchionna (PSOL-RS) e Heloísa Helena (Rede-RJ).
Liquidado extrajudicialmente pelo Banco Central do Brasil, o Banco Master deixou ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC) a responsabilidade de pagar investidores, em um rombo estimado pelo BC em R$ 47,2 bilhões, quando somado o caso do Will Bank, ligado à instituição chefiada por Daniel Vorcaro. O empresário foi preso no aeroporto de Guarulhos, sob suspeita de que estaria tentando fugir do país. As apurações ainda lidam com uma compra de carteiras de crédito por parte do Banco de Brasília (BRB).