O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou nesta quinta-feira (5) que conversou com seu filho Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como “Lulinha”, após o nome dele ter sido citado na CPMI do INSS, que investiga fraudes e descontos indevidos de aposentados e pensionistas.
Lula contou que chamou o filho ao Palácio do Planalto e o alertou sobre possíveis responsabilidades. “Quando saiu o nome do meu filho, eu chamei o meu filho aqui, e eu falo isso com todo mundo. Olhei no olho do meu filho e falei: ‘Olha, só você sabe a verdade, se você tiver alguma coisa, você vai pagar o preço de ter alguma coisa. Se você não tiver, se defenda’. Porque é assim que eu trato as coisas, com muita seriedade”, declarou em entrevista ao portal UOL.
O presidente também comparou a situação com sua própria prisão, afirmando que “decidiu ficar no Brasil para se defender”.
Menções diretas e indiretas ao nome de Lulinha foram registradas pelos investigadores por meio de depoimentos e material apreendido em buscas durante as apurações em curso. A Polícia Federal investiga se ele teria mantido uma sociedade oculta por meio de Roberta com Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”.
“O processo não acabou, mas pode ficar certo que todos vão para a cadeia e que o patrimônio que eles construíram vai ser ressarcido para pagar os benefícios. Se tiver alguém meu envolvido nisso, vai pagar o mesmo preço, porque a lei é para todos”, completou Lula.
A CPMI que apura os desvios do INSS pode analisar requerimentos para quebra de sigilo fiscal de Lulinha. Em 2025, houve tentativa de aprovar pedidos similares, mas a base governista do presidente barró os requerimentos.
O filho do presidente entrou na mira de parlamentares da oposição após reportagens afirmarem que ele teria recebido recursos de Antônio Carlos Camilo Antunes, o “Careca do INSS”. O presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), chegou a afirmar que Lulinha teria sido contratado para atuar como uma espécie de lobista em favor de Antunes.