As autoridades da Venezuela prenderam 14 jornalistas na segunda-feira (5), em Caracas, durante a posse de Delcy Rodríguez como presidente interina do país, segundo informou o sindicato da categoria.
De acordo com a entidade, 11 profissionais atuam para agências internacionais e um para a imprensa local. Eles tiveram celulares, equipamentos e contas em redes sociais vistoriados pelas forças de segurança.
No fim do dia, um dos jornalistas foi deportado. Os demais foram liberados após horas de detenção, ainda conforme o sindicato.
Outros dois repórteres, um espanhol e um colombiano, também foram detidos na fronteira entre Cúcuta, na Colômbia, e San Antonio, na Venezuela. Ambos foram soltos horas depois.
O sindicato afirmou que a cobertura dos ataques americanos e da crise política tem sido dificultada e cobrou garantias para o exercício do jornalismo no país.
Enquanto isso, a oposição venezuelana voltou a pedir a libertação de presos políticos. O movimento Vente Venezuela fez o apelo nesta terça (6).
Na fronteira com a Colômbia, o controle foi reforçado. Policiais fizeram revistas em veículos e pedestres, e muitos venezuelanos evitaram falar com a imprensa por medo de represálias.
A crise se intensificou no mesmo dia em que Delcy Rodríguez assumiu o cargo. O governo confirmou 24 mortes de militares, e fontes ouvidas pelo jornal New York Times relataram ao menos 80 mortos, sem confirmação oficial.