BBC pede a tribunal que rejeite processo movido por Trump

A BBC pedirá a um tribunal da Flórida que rejeite a ação movida contra ela pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, devido à edição de um discurso seu em um documentário de 2024 do programa Panorama, informou nesta terça-feira (13) a emissora britânica, citando documentos judiciais apresentados nesta segunda (12).


Segundo esses documentos, a BBC alegará que o tribunal norte-americano carece de “jurisdição pessoal” sobre a emissora do Reino Unido, que a sede judicial é “imprópria” e que Trump “fracassou em fundamentar uma reclamação” por danos.

O mandatário apresentou em dezembro do ano passado um processo de 5 bilhões de dólares (R$ 26,9 bilhões) no qual acusa a emissora de difamação pela suposta edição enganosa no documentário, transmitido dias antes das eleições americanas de 5 de novembro de 2024, e de violar uma lei sobre práticas comerciais.

Em relação à falta de jurisdição, a corporação argumentará que a reportagem não foi transmitida nos Estados Unidos, apesar do que alega Trump, e que não o prejudicou, visto que ele acabou conquistando por ampla maioria um segundo mandato naquelas eleições.

De acordo com os documentos judiciais, a BBC nega que Trump: Uma Segunda Chance? (Trump: A Second Chance?), transmitido em 28 de outubro de 2024 no Reino Unido, tenha sido distribuído na plataforma BritBox e sustenta que o republicano não pode provar que tenha sido editado com “malícia real”.


Além de pedir à corte que rejeite a demanda, a emissora solicita igualmente que, até que haja uma decisão sobre essa moção, seja suspensa toda a fase de coleta de informações e intercâmbio de provas prévias ao julgamento.

Trump anunciou seu processo depois que, no dia 3 de novembro do ano passado, o jornal britânico The Telegraph vazou um relatório de um ex-assessor da BBC, Michael Prescott, que criticava a distorção, naquele documentário, do discurso proferido pelo republicano em 6 de janeiro de 2021, dando a impressão de que havia incitado diretamente os distúrbios que ocorreram posteriormente no Capitólio, em Washington.

Embora a BBC tenha pedido desculpas por seu “erro”, recusou-se a pagar uma indenização e disse que se defenderia nos tribunais contra o processo por difamação, por considerar que não tem base legal.


A polêmica sobre este caso levou à renúncia, em 9 de novembro, do diretor-geral da BBC, Tim Davie, e da chefe de jornalismo, Deborah Turness, bem como de um membro do conselho supervisor da emissora pública.

Se o tribunal da Flórida decidir que o caso deve prosseguir, prevê-se que o julgamento comece em 2027.

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