Um caminhão avançou contra uma multidão reunida neste domingo (11) em Westwood, bairro de Los Angeles, durante uma manifestação contra o regime iraniano e em solidariedade aos protestos que vêm ocorrendo em Teerã. A ação provocou momentos de pânico, confusão e tensão entre os participantes do ato.
Imagens registradas no local mostram o veículo avançando em direção aos manifestantes, que reagiram tentando impedir o deslocamento do caminhão. Alguns participantes chegaram a golpear o veículo, quebrar janelas e tentar retirar o motorista à força.
A Polícia de Los Angeles (LAPD) interveio rapidamente, conteve a confusão e prendeu o condutor, que foi retirado do local sob custódia enquanto parte da multidão tentava agredi-lo.
“O motorista foi preso após avançar o caminhão contra a multidão”, confirmou um porta-voz da LAPD.
O caminhão tinha pintadas em sua lateral frases como “NO SHAH. NO REGIME. NO MULLAH”, em referência tanto à rejeição ao antigo regime monárquico iraniano quanto ao atual governo clerical. Durante o tumulto, manifestantes arrancaram os cartazes do veículo, o que aumentou ainda mais a tensão no local.
Segundo a polícia, duas pessoas foram avaliadas por equipes de emergência no próprio local, mas nenhuma precisou de atendimento hospitalar. “Não houve necessidade de ambulâncias, e a situação foi controlada no local”, informou a LAPD.
Para garantir a segurança e organizar o trânsito, o Departamento de Polícia de Los Angeles solicitou apoio da Patrulha Rodoviária da Califórnia, o que levou ao fechamento temporário de uma das alças de acesso à rodovia 405, na altura da Wilshire Boulevard.
Diante do clima de instabilidade, a polícia emitiu uma ordem de dispersão, e o número de manifestantes diminuiu significativamente no fim da tarde.
O episódio ocorreu em meio a uma onda de protestos internacionais em apoio aos manifestantes iranianos, que enfrentam forte repressão no país. Desde o fim de dezembro, milhares de pessoas têm ido às ruas no Irã em resposta à crise econômica, à disparada do custo de vida e à rápida desvalorização da moeda nacional.
De acordo com organizações de direitos humanos, como a Human Rights Activists News Agency, com sede nos Estados Unidos, a repressão estatal já deixou centenas de mortos.
No Irã, o agravamento da inflação — que ultrapassa 40% —, o aumento dos preços de alimentos e combustíveis, além da escassez de produtos básicos e do colapso do rial, intensificaram o descontentamento popular. Segundo levantamentos independentes, mais de 570 protestos já foram registrados nas 31 províncias do país.
Em Los Angeles, membros da comunidade iraniana e ativistas reforçaram o apelo à comunidade internacional para que volte os olhos à crise no Irã e apoie as reivindicações por liberdade, justiça e respeito aos direitos humanos.