O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, assegurou nesta sexta-feira aos investidores que “nunca” mudará suas políticas comerciais, no momento em que as bolsas do mundo caem após os novos impostos que ele anunciou na quarta-feira.
“Aos muitos investidores que estão vindo para os Estados Unidos e investindo enormes quantidades de dinheiro, minhas políticas nunca mudarão”, afirmou Trump em sua rede Truth Social. “Este é um ótimo momento para ficar rico, mais rico do que nunca antes”, acrescentou.
Os mercados do mundo enfrentam nesta sexta-feira uma nova sessão de perdas, após as fortes quedas registradas na quinta-feira devido ao anúncio do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, sobre a imposição de tarifas globais.
Às 12h45 GMT, o Euro Stoxx 50, índice que reúne as principais empresas da zona do euro, cai 4,19%, enquanto em Frankfurt o índice DAX apresenta queda de 3,6%, em Londres o FTSE 100 perde 3,8% e o CAC-40 de Paris recua 3,5%. A bolsa de Milão perde 7% e a de Madrid, 5%.
Após um início com quedas moderadas, as notícias vindas de Pequim, que impuseram uma tarifa de 34% sobre os produtos dos Estados Unidos, provocaram um impacto negativo que afundou tanto as bolsas europeias quanto os índices de Wall Street, cujos futuros despencaram: S&P cede 2,2%, Dow Jones 2,3% e o tecnológico Nasdaq 2,4%.
Esses números surgem após um dia muito difícil para as empresas de tecnologia dos Estados Unidos na quinta-feira, com perdas bilionárias para gigantes como Apple (314 bilhões de dólares), NVIDIA (209 bilhões), Amazon (187 bilhões) e Meta (133 bilhões), segundo dados da Bloomberg.
Nesta sexta-feira, o petróleo também sofreu com o impacto da decisão de Pequim, prolongando as perdas do dia anterior: o barril se aproxima de 62 dólares em Texas, repetindo uma queda de 7%.
Na Ásia, o dia também foi marcado por tensão. O Nikkei 225 de Tóquio fechou com queda de 2,75%, equivalente a uma perda de 955,35 pontos, deixando o índice em 33.780,58 pontos. O índice mais amplo, o Topix, recuou 3,37%, para 2.482,06 pontos, afetado especialmente pelas tensões comerciais com os Estados Unidos.
O anúncio da Casa Branca, feito na quarta-feira, que inclui uma tarifa base de 10% a partir de 5 de abril e tarifas diferenciadas por países a partir de 9 de abril, provocou reações fortes nos mercados financeiros.
Ao Japão, por exemplo, será aplicada uma tarifa de 24%, enquanto à União Europeia (UE) será imposto um imposto de 20%, segundo Trump, devido ao que ele classificou como “tratamento injusto” em matéria de comércio. O presidente argumentou que os produtos dos Estados Unidos enfrentam tarifas médias de 39% na UE e de 46% no Japão.
O ministro japonês da Economia, Comércio e Indústria, Yoji Muto, alertou que essas medidas podem afetar negativamente os investimentos japoneses nos Estados Unidos.
Na bolsa de Tóquio, os setores mais impactados foram os de semicondutores e automobilismo. Empresas como Disco, Tokyo Electron e Advantest despencaram 4,69%, 4,63% e 8,09%, respectivamente. Os fabricantes de automóveis Toyota, Honda e Nissan caíram 4,41%, 5,45% e 5,51%, nessa ordem.
A Nintendo, por sua vez, perdeu 1,02%, apesar de ter anunciado o lançamento de seu novo console Switch 2 e seus títulos associados. Analistas consultados por veículos locais indicaram que a queda foi influenciada principalmente pelo novo cenário tarifário.
O balanço do mercado japonês refletiu um marcado pessimismo: das empresas na seção principal, 1.490 valores fecharam em queda, enquanto 140 subiram e apenas 3 se mantiveram inalterados. O volume de negociações alcançou 6,84 trilhões de ienes (aproximadamente 42,355 bilhões de euros), em uma sessão marcada pela volatilidade.
Nos Estados Unidos, os principais índices também registraram o pior dia desde o início da pandemia de COVID-19. Wall Street viu quedas de entre 4% e 6%, impactada pela decisão da Casa Branca, pela reação do dólar e pelo temor de uma contração global.
Donald Trump envia mensagem aos investidores
