O deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP) avaliou que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está “adorando” o embate tarifário com os Estados Unidos, porque poderá culpar o presidente Donald Trump por seu “fracasso econômico”.
Para o congressista brasileiro, o petista deveria “deixar de lado um pouco a pauta ideológica” para negociar com os EUA, mas não o fará porque prioriza o poder acima dos interesses do país.
– Lula tem que ter conduta de presidenciável, tem que deixar de lado um pouco a pauta ideológica. Lula não fará isso, porque pensa primeiro no poder. Para se manter no poder, está adorando essa questão tarifária, por poder culpar Trump por seu fracasso na parte econômica – avaliou, em contato com a coluna de Andreza Martins e André Shalders, do portal Metrópoles.
Eduardo citou o Japão como exemplo de diplomacia, por ter enviado uma comitiva para o país norte-americano a fim de ficar à disposição da agenda do chefe da Casa Branca. Em sua visão, o Brasil deveria fazer o mesmo.
– Vou dar o exemplo de um país que conseguiu resolver a questão tarifária: o Japão. O Japão montou uma comitiva, enviou para a capital americana, e ficou à espera de agenda. E não como o Lula, que fica pensando: “Ah, será que o Trump vai puxar minha orelha”. Isso é algo muito pequeno perto da responsabilidade daqueles que pretendem representar a população brasileira. Será que não dá pra deixar uma delegação brasileira disponível 24 horas em Washington DC? – indagou.
Para Eduardo, o presidente dos EUA tem sido “cordial” com seu homólogo brasileiro ao sinalizar que receberia um telefonema do petista.
– Eu acho até que o Trump está sendo muito cordial com o Lula, porque duas semanas atrás ele disse que receberia uma ligação de Lula – opinou.
Eduardo ressaltou que existe uma “crise institucional” entre os dos países, que vai muito além da pauta econômica:
– O presidente Trump colocou na carta a Lula os pontos que fizeram com que ele colocasse a maior tarifa do mundo contra o Brasil. Nos outros países é 20, 30% (…), no Brasil foi 50%. Existe uma crise institucional. Uma perseguição contra Jair Bolsonaro; a regulamentação das redes sociais, e também as questões comerciais – enumerou.
Eduardo está nos EUA desde fevereiro deste ano, articulando sanções contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), por considerar que o magistrado lidera uma perseguição política e judicial contra conservadores no Brasil. Devido à sua atuação no exterior, ele se tornou alvo de um inquérito na Suprema Corte por suposto crime de coação no curso do processo e obstrução de justiça.
Nesta quinta-feira (28), Eduardo solicitou ao presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), que possa exercer seu mandato de parlamentar em terras internacionais, a fim de evitar perder o cargo por ausências.