O secretário de Estado americano, Marco Rubio, disse nesta quarta-feira (8) que a Casa Branca terá um plano de transição em três fases para a Venezuela. A estratégia americana, segundo o diplomata, consiste primeiro na estabilização do país, seguida da recuperação da economia e uma transição para a democracia.
Rubio detalhou o plano à imprensa americana após uma reunião com senadores de ambos os partidos no Capitólio, em Washington, da qual também participou o secretário de Defesa, Pete Hegseth. A reunião serviu para prestar contas ao Congresso sobre a operação que levou à prisão do ditador Nicolás Maduro.
Segundo ele, a aquisição e venda de até 50 milhões de barris de petróleo que eram alvo de sanções, anunciada na terça-feira, 6, pelo presidente Donald Trump, faz parte desse plano inicial de estabilização.
INFLUÊNCIA SOBRE DELCY
Rubio disse que a Casa Branca tem uma “tremenda influência” sobre a liderança interina da Venezuela, com habilidade para controlar o que eles fazem ou são capazes de fazer.
Ainda de acordo com Rubio, isso é possível graças não só à prisão de Maduro e à ameaça sobre outras lideranças chavistas como também ao bloqueio parcial das exportações de petróleo venezuelano.
Questionado sobre a duração do envolvimento americano, Rubio disse que haviam se passado apenas quatro dias desde a prisão de Maduro e acrescentou que a transformação a longo prazo do país dependeria, em última instância, do povo venezuelano.
DETALHES DO PLANO
A renda obtida com a venda do petróleo confiscado pelos EUA, ainda de acordo com o secretário de Estado, será usada de uma maneira que beneficie o povo venezuelano.
– Já estamos vendo progresso com este novo acordo que foi anunciado, e outros acordos virão – disse ele, sem fornecer detalhes sobre os acordos adicionais.
A fase de recuperação, disse Rubio, visa garantir que empresas americanas, ocidentais e de outros países tenham acesso ao mercado venezuelano.
– Ao mesmo tempo queremos iniciar o processo de reconciliação nacional na Venezuela, para que as forças de oposição possam ser anistiadas e libertadas das prisões ou trazidas de volta ao país, e começar a reconstruir a sociedade civil – disse ele.
– Essas fases podem acontecer ao mesmo tempo em algum momento. Teremos mais detalhes nos próximos dias, mas sentimos que estamos avançando de uma forma muito positiva – disse ele.
Em uma outra coletiva na Casa Branca, a porta-voz de Trump, Karoline Leavitt disse que o governo americano está em contato com a presidente interina da Venezuela, Delcy Rodríguez e todas as decisões delas estão sendo ditadas por Washington.
– Obviamente, neste momento temos influência máxima sobre as autoridades interinas da Venezuela – declarou ela.
– Portanto, continuamos mantendo estreita coordenação com as autoridades interinas, e suas decisões continuarão sendo ditadas pelos Estados Unidos da América – acrescentou.
APREENSÃO DE PETROLEIROS
Mais cedo, As Forças Armadas dos Estados Unidos interceptaram dois navios petroleiros ligados à Venezuela. Uma das embarcações, no Atlântico, vinha sendo perseguida pelos americanos durante semanas. O outro barco foi interceptado no Mar do Caribe.
A interceptação foi confirmada por agências internacionais. A rede estatal russa RT veiculou um vídeo que mostra um helicóptero americano circulando a embarcação em águas internacionais.