O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Luiz Fux, autorizou nesta quarta-feira (21) a quebra do sigilo bancário e fiscal do deputado federal André Janones (Avante-MG), de assessores e ex-assessores. A decisão do magistrado é um desdobramento da investigação da Polícia Federal (PF) sobre um possível esquema de ‘rachadinha’ no gabinete do parlamentar.
A quebra do sigilo foi pedido ao STF pela Polícia Federal e teve aval da Procuradoria-Geral da República (PGR)
Em dezembro, Fux atendeu ao pedido da PGR e autorizou abertura de um inquérito para investigar a suposta prática de ‘rachadinha’.
De acordo com a PF, “as diligências concluídas até o momento sugerem a existência de um esquema de desvio de recursos públicos no gabinete do deputado André Janones”.
A PF afirmou ainda que há inconsistências nos depoimentos prestados por servidores do deputado e que “a análise conjunta das declarações obtidas nas oitivas com o conteúdo dos áudios (e com as diligências empreendidas) revela uma série de inconsistências e contradições”.
“Embora os assessores neguem envolvimento no esquema de ‘rachadinha’, as discrepâncias em seus depoimentos evidenciam a necessidade de um aprofundamento nas investigações . Afinal, é crucial considerar que todos os assessores investigados ainda mantêm vínculos com o Deputado Federal André Janones, dependendo de seus cargos ou para a sua sobrevivência política ou para a sua subsistência”, afirmou a PF.
Os investigadores da PF dizem que para “investigar adequadamente esse tipo de conduta, deve-se rastrear o fluxo financeiro e analisar o patrimônio dos suspeitos. Nesse contexto, o afastamento do sigilo bancário e fiscal se torna um passo essencial, pois possibilita um exame minucioso das transações financeiras e dos bens que possam ter vínculos com as práticas ilícitas em questão”.
Entre as inconsistências, a PF destaca o depoimento de Alisson Alves, um dos servidores que aparecem nas gravações indicando a ‘rachadinha’.
Alisson afirmou à PF que nunca devolveu parte do salário e que na época das gravações mentiu para que o colega não pedisse dinheiro emprestado.
Porém, chamou atenção da PF que, apesar da negativa, ele afirmou que sacava todo mês R$ 4 mil em espécie com frequência.
Para o vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, as quebras de sigilo são adequadas. “No caso, como os elementos de informação já reunidos apontam concretamente para a participação dos investigados no esquema de desvio de recursos públicos e recepção de vantagem indevida, não há dúvida quanto à necessidade do afastamento dos respectivos sigilos bancário e fiscal”, defendeu.
Fux afirmou em sua decisão que o pedido da PF está “devidamente fundamentado, indicando as razões por que a medida se revela necessária nesta fase da investigação”.
De acordo com o ministro do STF, “os indícios de possível prática criminosa estão bem descritos na representação da Autoridade Policial, com possível ação conjunta dos investigados no suposto esquema criminoso apurado”.
Fux autoriza quebra de sigilos bancário e fiscal de Janones e assessores por suspeita de ‘rachadinha’
