Indicado de Trump para a ‘Anatel dos EUA’ é um crítico de Moraes

O presidente Donald Trump escolheu o republicano Brendan Carr para chefiar a Comissão Federal de Comunicações (FCC), da qual já é membro. O órgão é análogo à Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) brasileira.

Em 1º de setembro deste ano, Carr criticou o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pelo bloqueio da rede social Twitter/X.

“O texto de sua decisão de 51 páginas é muito mais preocupante e abrangente do que as manchetes sugerem”, escreveu o norte-americano. “As próprias palavras de Alexandre de Moraes deixam claro que ele está tentando dar um golpe mais amplo contra a liberdade de expressão e a favor de controles autoritários.”

Carr disse que Moraes não se preocupa em esconder sua opinião na decisão. “Ele vai direto ao ponto e aponta o Brexit e a eleição do presidente Trump em 2016 como exemplos, em sua narrativa, dos tipos de resultados ‘populistas’ extremos que ele está tentando evitar ao impor um novo regime de censura no Brasil antes das eleições do país”, escreveu Carr, em referência ao pleito municipal.

Hoje, a Comissão Federal de Comunicações é responsável por licenciar frequências de rádio e TV, regular custos de telefonia e promover a expansão da internet doméstica. Antes da eleição, Trump disse que queria que a agência retirasse as licenças de emissoras como NBC e CBS, pois considera suas coberturas jornalísticas injustas.

“O comissário Carr é um defensor da liberdade de expressão e tem lutado contra os abusos regulatórios que sufocaram as liberdades dos norte-americanos e retardaram nossa economia”, disse Trump, em comunicado.

Em 5 de setembro, Carr também criticou a Anatel do governo Lula por atender à ordem ilegal de Moraes.

Carr, de 45 anos, foi autor de um capítulo sobre a FCC no plano de governo de Trump, no qual argumentou que a agência também deveria regular as maiores empresas de tecnologia, como Apple, Meta, Google e Microsoft, conhecidas como big techs. “O cartel da censura precisa ser desmontado.”

Carr pode usar sua posição de liderança na agência para pressionar empresas, segundo especialistas ouvidos pelo jornal norte-americano The New York Times. Ele também pode ameaçar bloquear fusões ou investigar falhas regulatórias, o que pode resultar em multas ou na perda de licenças.

O futuro chefe da agência de telecomunicações agradeceu a nomeação em uma postagem no Twitter/X.


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