Irã ameaça bombardear bases dos EUA e aliados no Oriente Médio

O ministro da Defesa do Irã, Aziz Nafizardeh, afirmou nesta quarta-feira (14) que o país responderá com ataques a bases militares dos Estados Unidos na região caso Washington realize uma ofensiva contra o território iraniano. A declaração foi divulgada pela agência local Mehr.

Segundo Nafizardeh, todas as bases americanas e instalações militares de outros países que apoiem ações dos EUA contra o Irã serão consideradas alvos legítimos. O ministro acrescentou que, em caso de agressão, “a resposta iraniana será dolorosa para os inimigos”.

As declarações ocorrem após uma série de advertências do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que tem afirmado publicamente estar disposto a lançar um ataque contra o Irã em resposta à repressão às manifestações que, há cerca de duas semanas, ocorrem em diversas cidades do país e já deixaram centenas de mortos.

Nesse contexto, três diplomatas disseram à agência Reuters que membros do pessoal foram orientados a deixar a base aérea americana de Al Udeid, no Catar, na noite de quarta-feira. A recomendação teria sido feita em meio às advertências de Washington sobre uma possível intervenção para proteger os manifestantes no Irã. A embaixada dos EUA em Doha e o Ministério das Relações Exteriores do Catar não comentaram oficialmente a informação.

Paralelamente, o chefe do Judiciário iraniano, Gholamhosein Mohseni Ejei, afirmou que os manifestantes presos desde o início dos protestos, em 28 de dezembro, passarão por julgamentos rápidos, segundo a televisão estatal.

A promessa ocorre em meio a uma repressão que, de acordo com organizações de direitos humanos, já resultou em um número de mortos que varia de centenas a vários milhares. O anúncio também coincide com a crescente preocupação internacional em torno da possível execução de Erfan Soltani, manifestante condenado à morte sob a acusação de “moharebeh” — termo que significa “guerra contra Deus” na legislação iraniana.

Durante visita a uma prisão, Mohseni Ejei afirmou que os tribunais devem agir com rapidez nos casos relacionados aos protestos recentes e que os processos judiciais estão sendo acelerados para os detidos.

Os números de mortos e presos variam de forma significativa entre dados oficiais e levantamentos independentes. A organização HRANA, sediada nos Estados Unidos, afirma ter confirmado 2.403 mortes de manifestantes, além de 147 pessoas ligadas ao governo, 12 menores de idade e nove civis sem relação direta com os protestos, totalizando 2.571 mortes desde o início da repressão. Já a ONG Iran Human Rights (IHR), com sede na Noruega, contabiliza ao menos 734 mortos, mas alerta que o número real pode chegar a vários milhares.


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