O Tribunal de Apelações de Roma analisa, nesta terça-feira (10), um recurso estratégico da defesa da ex-deputada brasileira Carla Zambelli. Os advogados da parlamentar cassada solicitaram formalmente a troca dos juízes responsáveis pelo seu processo de extradição, alegando que os magistrados atuais agem com “hostilidade”.
Zambelli está presa na Itália desde julho do ano passado e é considerada foragida pela Justiça brasileira. A defesa sustenta que o colegiado italiano já formou um “pré-juízo” negativo e tem sido sistematicamente contrário às solicitações feitas pela ex-deputada ao longo do processo.
Extradição sob novo adiamento
Enquanto o recurso sobre a suspeição dos juízes é julgado hoje, a análise do mérito do pedido de extradição — que definirá se Zambelli será enviada de volta ao Brasil para cumprir pena — foi agendada para esta quarta-feira (11).
O processo em solo italiano tem sido marcado pela lentidão e por manobras jurídicas: a audiência principal já foi adiada quatro vezes desde a prisão da brasileira.
Histórico: Invasão de sistemas e cassação
A situação jurídica de Carla Zambelli no Brasil é complexa. Em dezembro, o Supremo Tribunal Federal (STF) determinou a cassação de seu mandato, embora a ex-parlamentar tenha tentado se antecipar entregando uma carta de renúncia à Câmara três dias após a decisão.
Os principais pontos da condenação no Brasil incluem:
- Pena: 10 anos e 8 meses de prisão.
- Crime: Invasão dos sistemas do Conselho Nacional de Justiça (CNJ).
- Agravante: Inserção de documentos falsos no sistema judiciário brasileiro.
Se a Justiça de Roma negar o recurso de hoje e autorizar a extradição amanhã, Zambelli será entregue às autoridades brasileiras para iniciar o cumprimento de sua sentença em regime fechado.