Um dos acusados foi condenado a seis meses de prisão, enquanto outros oito receberam penas condicionais que variam de quatro a oito meses. Todos os dez também foram obrigados a participar de um curso de conscientização sobre cyberbullying.
O tribunal destacou comentários “particularmente degradantes, insultuosos e maliciosos”, que faziam referência a alegações falsas sobre uma suposta identidade trans e uma suposta pedofilia atribuída a Brigitte Macron. Segundo a decisão, “as publicações repetidas tiveram efeitos prejudiciais cumulativos”.
Os réus — oito homens e duas mulheres, com idades entre 41 e 65 anos — foram acusados de publicar diversos comentários afirmando falsamente que a esposa do presidente Emmanuel Macron teria nascido homem e de comparar a diferença de idade de 24 anos entre o casal à pedofilia. Algumas dessas postagens chegaram a ser vistas dezenas de milhares de vezes.
Brigitte Macron não compareceu ao julgamento, que durou dois dias, em outubro. Em entrevista à emissora nacional TF1, no domingo, ela afirmou que decidiu recorrer à Justiça para “dar o exemplo” no combate ao assédio.
O advogado dela, Jean Ennochi, declarou na segunda-feira que “o mais importante é que haja capacitações imediatas para conscientizar sobre o assédio cibernético e, para alguns dos acusados, a proibição do uso de contas em redes sociais”.
A filha de Brigitte, Tiphaine Auzière, prestou depoimento e relatou o que descreveu como a “deterioração” da vida da mãe desde a intensificação do assédio on-line. “Ela não consegue ignorar as coisas horríveis que são ditas sobre ela”, afirmou Auzière ao tribunal. Segundo ela, o impacto se estendeu a toda a família, incluindo os netos de Macron.
Um dos acusados, administrador de ativos imobiliários, foi condenado a seis meses de prisão. Pela legislação francesa, a pena pode ser cumprida em regime domiciliar, possivelmente com o uso de tornozeleira eletrônica ou outras condições determinadas pelo juiz.
A acusada Delphine Jegousse, de 51 anos, conhecida como Amandine Roy e que se apresenta como médium e autora, foi considerada peça-chave na disseminação do boato após publicar, em 2021, um vídeo de quatro horas em seu canal no YouTube. Ela também foi condenada a seis meses de prisão.
Já a conta na rede X de Aurélien Poirson-Atlan, de 41 anos, conhecido nas redes sociais como Zoé Sagan, foi suspensa em 2024 após ele ser citado em várias investigações judiciais. Poirson-Atlan foi condenado a oito meses de prisão, assim como outro acusado, um galerista.
O único réu que não recebeu pena de prisão foi um professor, que pediu desculpas durante o julgamento. Ainda assim, ele terá de participar do curso sobre cyberbullying.
Vários dos condenados também terão o acesso às redes sociais suspenso por seis meses nas plataformas em que fizeram as publicações. O tribunal ressaltou que as sentenças foram proporcionais à gravidade dos comentários.
As autoridades judiciais francesas não divulgaram oficialmente os nomes dos acusados, embora alguns tenham se identificado publicamente ao falar sobre o caso.
Durante o julgamento, diversos réus alegaram que seus comentários tinham intenção humorística ou satírica e disseram não compreender por que estavam sendo processados.
O caso ocorre após anos de teorias conspiratórias que afirmavam falsamente que Brigitte Macron teria nascido com o nome de Jean-Michel Trogneux — que, na verdade, é o nome de seu irmão. Os Macron também ingressaram com uma ação por difamação nos Estados Unidos contra a influenciadora conservadora Candace Owens.
Casados desde 2007, Emmanuel e Brigitte Macron se conheceram quando ele era estudante e ela, professora no colégio onde ele estudava. Brigitte Macron, 24 anos mais velha que o marido, chamava-se então Brigitte Auzière, era casada e mãe de três filhos. Emmanuel Macron, de 48 anos, é presidente da França desde 2017.