O líder supremo do Irã, Ali Khamenei, alertou nesta segunda-feira (31) que qualquer ataque contra seu país será respondido com um “golpe recíproco e contundente”, em resposta às recentes advertências dos Estados Unidos.
As declarações, proferidas durante um discurso na mesquita Mosalla de Teerã por ocasião do Eid al-Fitr, a festividade que marca o fim do Ramadã, ocorrem em um contexto de tensões nas relações nucleares entre Irã e EUA.
“Eles ameaçam cometer uma maldade. Se cometerem alguma maldade, receberão um golpe recíproco e forte”, afirmou Khamenei, em resposta às advertências de Donald Trump, ex-presidente dos EUA, que, em entrevistas recentes, assegurou que seu país não hesitaria em bombardear o Irã caso não fosse alcançado um acordo sobre o programa nuclear iraniano.
O regime de Teerã também rejeitou a possibilidade de um ataque estrangeiro e advertiu sobre as tentativas internas de desestabilização. “Se buscam criar sedição dentro do país, a própria nação lhes dará uma resposta”, disse Khamenei. Enquanto Khamenei falava, milhares de presentes na mesquita gritavam os habituais slogans como “morte a Israel” e “morte à América”.
Donald Trump intensificou seu discurso contra o regime iraniano, afirmando que, caso não seja alcançado um acordo sobre o programa nuclear de Teerã, os EUA não hesitarão em realizar bombardeios “como nunca antes vistos”. As declarações de Trump surgem após o Irã rejeitar a possibilidade de negociações diretas com Washington, em meio à política de “pressão máxima” implementada pela administração americana desde a retirada do acordo nuclear de 2015, que buscava limitar as atividades nucleares do Irã em troca de um levantamento parcial de sanções.
O conflito sobre o programa nuclear iraniano tem sido uma das principais fontes de atrito na relação entre os dois países, com os EUA acusando o Irã de enriquecer urânio em níveis acima do permitido para um programa de energia nuclear civil, o que, segundo Washington, aponta para a criação clandestina de armas nucleares.
Por sua vez, o Irã defende que seu programa nuclear tem fins pacíficos, embora a crescente atividade nuclear continue gerando desconfiança na comunidade internacional.
Em seu discurso, Khamenei também continuou com sua habitual retórica beligerante, acusando Israel de ser um “proxy” dos EUA na região, e rejeitando as acusações de que seus aliados no Iêmen (os houthis), Gaza (com o Hamas) e Líbano (com o Hezbollah) sejam meros agentes de Teerã. Em vez disso, o líder iraniano se referiu a Israel como o único “proxy” na região, atacando fortemente o Estado judeu por suas ações em Gaza e acusando-o de cometer um “genocídio”. “Esse grupo criminoso (Israel) deve ser erradicado da Palestina”, concluiu Khamenei, seguindo a linha de seu regime de apoio aos grupos armados que se opõem a Israel.
As tensões com Israel são uma constante na política externa iraniana, que lidera o denominado “Eixo da Resistência”, uma coalizão composta por grupos terroristas como Hamas, Hezbollah e os houthis, bem como diversas milícias no Iraque. O regime de Teerã tem sido um dos principais patrocinadores desses grupos, o que tem aumentado as preocupações sobre a instabilidade na região e a possibilidade de um conflito maior.
Apesar das ameaças e retórica beligerante, as autoridades iranianas têm mostrado disposição em retomar as conversas com os EUA, embora sob condições específicas. O presidente do Irã, Masud Pezeshkian, reiterou que seu país está aberto a negociações indiretas com os EUA, deixando claro que o futuro das conversas dependerá do comportamento de Washington e das políticas que o governo americano implementar em relação ao Irã.
No entanto, as opções de um acordo parecem cada vez mais distantes, especialmente com o endurecimento das posições em ambos os lados. Por um lado, os EUA continuam pressionando com sanções e ameaças de ações militares, enquanto o Irã, por outro, continua com seu desafio e reforça sua postura agressiva diante das potências ocidentais. A situação no Golfo Pérsico continua sendo volátil, com o Irã mantendo sua influência sobre grupos militantes em toda a região, enquanto os EUA e seus aliados continuam sua campanha para frear o programa nuclear de Teerã. O futuro imediato da relação entre Irã e EUA parece depender da evolução das negociações e da capacidade de ambas as partes para superar suas diferenças, embora as recentes declarações de ambos os líderes sugiram que a confrontação continua sendo uma opção no horizonte.
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