Sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), a Abin (Agência Brasileira de Inteligência) teria espionado autoridades do governo do Paraguai por meio de uma ação hacker que invadiu computadores. A Polícia Federal investiga a legalidade da operação.

A informação foi divulgada na manhã desta segunda-feira (31) por Aguirre Talento, colunista do UOL. Segundo a reportagem, o planejamento da ação hacker começou ainda no governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), mas a operação foi executada com o aval de Luiz Fernando Corrêa, atual diretor-geral da Abin nomeado por Lula.
Em novembro de 2024, um servidor da Abin revelou detalhes em depoimento à Polícia Federal, que apura se a operação de espionagem teve caráter ilegal. Um segundo agente confirmou a existência da ação, sem dar detalhes
“Luiz Fernando teria vibrado, gostou muito, que era a primeira vez que se sentia numa atividade de inteligência”, relatou o servidor à PF.
As suspeitas de irregularidades na atual gestão foram levantadas a partir da investigação de supostos desvios da Abin sob comando do ex-diretor Alexandre Ramagem no governo Bolsonaro.
Por que Abin promoveu ação hacker contra governo do Paraguai?
Através da invasão de computadores, a ação hacker tinha por objetivo extrair informações sigilosas a respeito da negociação de tarifas da usina hidrelétrica de Itaipu. A questão é alvo de disputa entre Brasil e Paraguai há anos.

A operação teria ocorrido meses antes do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, fechar um novo acordo com o presidente do Paraguai, Santiago Peña, sobre os valores pagos pela energia excedente, em maio de 2024.
Na ocasião, governo brasileiro aceitou aumentar a tarifa paga ao Paraguai, mas abaixo do solicitado. O país vinha pressionando o Brasil para corrigir o valor, visto que o Tratado de Itaipu previa a renegociação em 2023. Não há confirmação, contudo, de que os dados obtidos na ação hacker teriam favorecido o Brasil.
O agente da Abin relatou à PF que os alvos da espionagem seriam “autoridades relacionadas diretamente à negociação e aos valores a serem cobrados por megawatt”. Congresso, Senado, Câmara e Presidência da República do Paraguai teriam sido invadidos.