Trump envia frota naval com 4.500 militares para a costa da Venezuela

Os Estados Unidos nunca estiveram tão próximos de um conflito armado com a Venezuela. Uma frota norte-americana totalmente equipada está posicionada ao largo da costa venezuelana, enquanto o presidente Nicolás Maduro vive sob uma recompensa de US$ 50 milhões, de acordo com a reportagem da Axios, nesta sexta-feira (29).


Conforme relatado pelo veículo, oficialmente, os navios foram enviados para combater o tráfico de drogas, mas fontes próximas à administração de Donald Trump destacam a ambiguidade da missão. Segundo a secretária de imprensa da Casa Branca, Karoline Leavitt, os EUA consideram Maduro o “chefe fugitivo de [um] cartel de drogas” e não o presidente legítimo da Venezuela.

“Isso é 105% sobre narco-terrorismo, mas se Maduro deixar o poder, ninguém vai chorar”, disse um integrante da administração Trump familiarizado com as discussões de política externa ao site.

Outro funcionário comparou a situação à operação de 1989 contra o então presidente do Panamá, Manuel Noriega, também acusado de crimes relacionados a drogas.

A ordem de Trump inclui sete navios de guerra transportando 4.500 militares, entre eles três destróieres guiados por mísseis e pelo menos um submarino de ataque, além de 2.200 fuzileiros navais. Essa presença de tropas terrestres não é comum em operações de combate ao tráfico.

O anúncio da recompensa de US$ 50 milhões sobre Maduro ocorreu em 7 de agosto, um dia antes do envio da frota norte-americana para atuar contra cartéis na América Latina. O presidente venezuelano já havia sido indiciado nos Estados Unidos por chefiar o Cartel de los Soles, grupo classificado como organização terrorista estrangeira pelo Departamento do Tesouro.


Maduro reagiu ao movimento dos EUA:

“O que estão ameaçando fazer contra a Venezuela — mudança de regime, ataque militar terrorista — é imoral, criminoso e ilegal”, disse ele, convocando a população a integrar milícias para enfrentar uma possível invasão.

O presidente colombiano Gustavo Petro também se posicionou contra a ação, afirmando que:

“O Cartel dos Soles não existe; é a desculpa fictícia da extrema direita para derrubar governos que não lhes obedecem.”

O petróleo é outro fator central nas tensões entre Washington e Caracas. Os EUA buscam manter influência sobre o maior país em reservas provadas de petróleo do mundo, e acordos de exploração com empresas como a Chevron já foram retomados parcialmente.

Fontes da administração Trump afirmam Axios que o regime de Maduro é sustentado pela inteligência cubana e que a Venezuela abastece a economia de Cuba com petróleo barato. Há especulações de que a estratégia dos EUA inclua negociações para a saída de Maduro ou até mesmo sua eliminação por militares interessados na recompensa ou na normalização das relações com Washington.

Embora uma invasão direta seja considerada improvável por muitos analistas, operações agressivas contra barcos suspeitos de tráfico, ataques aéreos e até ataques com drones não são descartados.

“Alguns barcos certamente serão capturados ou afundados”, disse um oficial da administração.

Especialistas alertam para os riscos de uma ação militar direta, apontando que o histórico de tentativas de mudança de regime na Venezuela já falhou anteriormente.

“Maduro pode estar preso ao poder porque os cubanos ao seu redor não vão deixá-lo sair. Então ele pode simplesmente sair em um saco de corpo”, comentou um conselheiro próximo à Casa Branca.

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