União Europeia aprova acordo com Mercosul; França protesta

O países da União Europeia (UE) deram sinal verde, nesta sexta-feira (9), para o histórico e polêmico acordo comercial com o Mercosul. Segundo diplomatas, a aprovação ocorreu durante uma reunião de embaixadores em Bruxelas, permitindo que a Comissão Europeia siga adiante com um tratado defendido por setores empresariais, mas que enfrenta forte rejeição de agricultores europeus.


Apesar da vitória da proposta, o bloco europeu demonstrou divisões profundas. A maioria dos 27 Estados-membros votou a favor do pacto, superando a oposição de países como França, Irlanda e Hungria, que temem os impactos negativos no setor agrícola local.

Macron mantém oposição em meio a protestos

O presidente francês, Emmanuel Macron, que já havia manifestado seu rechaço na véspera, reagiu à decisão reforçando que a luta não terminou. Em mensagem na rede social X, ele afirmou: “A assinatura do acordo não significa o fim do processo”, reiterando que exigirá o cumprimento total de salvaguardas para proteger os produtores franceses.

A pressão sobre o governo francês é intensa:

  • Protestos em Paris: Na quinta-feira, cerca de 100 tratores bloquearam vias estratégicas e pontos turísticos como o Arco do Triunfo.
  • Concorrência: Agricultores temem não conseguir competir com os produtos originários de Brasil, Argentina, Uruguai e Paraguai.
  • Crise Sanitária: O malestar aumentou após decisões recentes do governo de sacrificar gado para conter o avanço da dermatite nodular bovina.

Bloco de oposição: Irlanda e Hungria

A resistência não ficou restrita a Paris. A Hungria acusou Bruxelas de ignorar os interesses nacionais em favor de uma agenda externa. O ministro das Relações Exteriores húngaro, Péter Szijjártó, criticou a “inundação” do mercado por produtos sul-americanos, comparando a situação à entrada de cereais ucranianos na Europa Central.


Já a Irlanda, representada pelo vice-primeiro-ministro Simon Harris, manteve sua posição histórica de que não apoia o acordo da forma como foi apresentado, citando riscos à subsistência dos fazendeiros irlandeses.

O que acontece agora?

Mesmo com a aprovação desta sexta-feira, o Comissário Europeu de Agricultura, Christophe Hansen, admitiu que ainda restam “questões abertas” sobre as cláusulas de salvaguarda. O acordo agora segue para as fases finais de assinatura e ratificação, prometendo criar uma das maiores zonas de livre comércio do mundo, integrando um mercado de mais de 700 milhões de pessoas.

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