A Conselho Universitário da Unicamp (Consu) aprovou por unanimidade, nesta terça-feira (1º), a criação de um sistema de reserva de vagas para pessoas trans, travestis e não-binárias nos cursos de graduação. A nova política valerá para vestibulandos que tentarem ingressar por meio do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) e se somará às cotas já existentes para pretos, pardos e indígenas.
De acordo com a medida, cursos com até 30 vagas regulares deverão oferecer pelo menos uma para essa população, enquanto cursos com 30 ou mais vagas precisarão disponibilizar no mínimo duas. Essas vagas poderão ser adicionais ou retiradas da ampla concorrência, conforme decisão da unidade acadêmica. “As cotas abrem portas, e a Unicamp já transicionou”, afirmou Rayan Gabriel Rodrigues, representante discente no Consu.
O processo seletivo para essas vagas incluirá autodeclaração e um relato de vida, critério já adotado em outras universidades. Uma comissão de verificação será responsável por avaliar os candidatos. Dados da Comissão Permanente para os Vestibulares (Comvest) mostram que, no último vestibular, 279 candidatos se inscreveram com nome social e 40 foram convocados, sendo os cursos de Artes Visuais, Ciências Biológicas e Medicina os mais procurados.
A iniciativa surgiu de uma articulação entre a reitoria da Unicamp, movimentos sociais e representantes estudantis, como parte de um acordo firmado após uma greve em 2023. O professor José Alves Neto, que coordenou o grupo de trabalho para a implantação da política, classificou a decisão como um “momento histórico” para a instituição.
A Unicamp se junta a outras 13 universidades federais e estaduais que já adotaram cotas voltadas à população trans, incluindo a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) e a Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). O grupo de trabalho destacou que a medida está alinhada às ações afirmativas da universidade e à sua política de direitos humanos, além de reconhecer a discriminação de gênero no Brasil e a invisibilização da população trans, estimada em cerca de 3 milhões de pessoas, segundo uma pesquisa de 2021.
Essa não é a primeira medida da Unicamp voltada à inclusão de grupos historicamente marginalizados. Em setembro de 2024, a universidade também aprovou cotas para pessoas com deficiência (PCDs) nos cursos de graduação pelo Enem.
Unicamp aprova cotas para pessoas trans, travestis e não-binárias
