A vereadora Sonaira Fernandes (Republicanos) ingressou com uma Representação no Ministério Público do Estado de São Paulo (MPSP) solicitando a suspensão imediata do equipamento conhecido como “Tatuzão” na obra da linha 06 Laranja do metrô.
No dia 01/02/22 foi registrado o desabamento de um dos trechos da obra, ocorrido na pista local da Marginal Tietê, sentido Rodovia Ayrton Senna, Zona Norte de São Paulo. O acidente não teve vítimas fatais, mas colocou em risco dezenas de trabalhadores no local.
“O governador Doria tem sido muito evasivo sobre a causa do acidente. Ele mencionou que o equipamento conhecido como Tatuzão será reparado depois do que houve, mas não detalhou a ligação entre isso e o desabamento, que poderia ter matado alguém”, notou Sonaira.
A vereadora argumentou que, além do risco aos trabalhadores, o acidente exigiu a paralisação total e, em seguida, parcial da Marginal Tietê, causando imenso prejuízo aos paulistanos que precisam da importante via para se deslocar pela cidade.
Sonaira Fernandes lembrou que o governador João Dória anunciou com entusiasmo o emprego da tuneladora conhecida como “Tatuzão”, de uso controverso, operada por cerca de 40 pessoas e que escava o solo mediante engenho mecânico.
“As causas do evento estão sendo apuradas e as informações disponíveis ainda são
Precárias. Apesar disso, se faz imprescindível a apuração quanto a responsabilidade
pelo dano, tendo em vista a aparente má gestão da obra”, destacou Sonaira.
Em sua Representação ao MPSP, por meio da Promotoria de Defesa do Patrimônio Público de São Paulo, a vereadora traz o depoimento do presidente do Instituto de Engenharia, Paulo Ferreira, sobre a trepidação do solo causada pelo Tatuzão.
“Em qualquer movimentação, ele provoca uma trepidação no terreno, uma desestabilização. Se há uma obra perpendicular, essa obra movimenta. E esse movimento deve ter provocado uma ruptura. Pode ser em uma junta. Se não for uma junta, que seria um problema mais tranquilo, foi uma ruptura, aí é um problema um pouco pior”, informou.
Diante do provável elo entre o uso do “Tatuzão” e o desabamento, Sonaira Fernandes solicitou que o MPSP determine a suspensão do uso do mesmo, ao menos por ora, até que seja apurada a conexão entre o rompimento do solo e equipamento.
“Confiamos no trabalho da Promotoria e está evidente a necessidade de uma apuração rigorosa antes que o Tatuzão volte a ser utilizado na obra. Ao que tudo indica, e a julgar pela evasiva e omissão do governador Doria, existe uma ligação direta entre o uso da máquina e o acidente. Nós precisamos proteger a vida de quem trabalha na obra e proteger a estrutura do leito do Tietê”, finalizou Sonaira Fernandes.