Alckmin diz esperar que uso da Lei de Reciprocidade acelere diálogo e negociação com EUA

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin (PSB), afirmou nesta quinta-feira (28) que espera que a abertura de processo para aplicação da Lei de Reciprocidade contra os Estados Unidos, em razão do tarifaço, ajude o Brasil a avançar em negociações com o governo de Donald Trump.


“O Congresso Nacional aprovou uma lei chamada Lei da Reciprocidade, quase por unanimidade, que é um instrumento importante, necessário. A Camex é provocada, é um órgão colegiado, formado por dez ministérios, praticamente. Então, vai ser iniciado o processo. Agora, o que eu espero é que isto ajude acelerar o diálogo e a negociação”, disse Alckmin a jornalistas na Cidade do México, onde cumpre agenda de discussões sobre tarifas impostas pelos EUA e parcerias comerciais.

Na quarta-feira (27), após autorização do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) acionou a Câmara de Comércio Exterior (Camex) para analisar a aplicação da lei contra os Estados Unidos.

De acordo com a agência Reuters, os EUA serão notificados da decisão nesta sexta-feira (29) e terão prazo para responder. Caso medidas sejam aprovadas, em até 30 dias será formado um grupo de trabalho com representantes do governo brasileiro para definir em quais setores agir.

Alckmin evitou comentar se a iniciativa está ligada às dificuldades de diálogo entre Brasil e Washington, mas frisou que a orientação do presidente Lula é priorizar a defesa da soberania nacional, sem fechar portas para conversas com o governo Trump.

“Nós precisamos lembrar que nós temos 201 anos de parceria e amizade com os Estados Unidos. E temos uma boa complementariedade econômica. Vou dar um exemplo do aço. Somos o terceiro comprador do carvão siderúrgico dos Estados Unidos. Fazemos o semiplano, vendemos para os Estados Unidos, que faz o aço pro automóvel, pro avião, pra máquina”, afirmou.

O vice também destacou que as relações comerciais entre os países trazem benefícios à sociedade.


“Essa é a lógica do comércio exterior, quem ganha é o conjunto da sociedade. Tem produtos mais baratos, que beneficiam a sociedade.”

Segundo ele, por enquanto não há nova reunião prevista entre o governo brasileiro e autoridades norte-americanas.

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