Os países da União Europeia concordaram na segunda-feira (07/03) em iniciar o processo para que Ucrânia, Moldávia e Geórgia possam se tornar membros do bloco político-econômico. Os três países haviam feito o pedido a Bruxelas na semana passada, justificando o fato de a ameaça da Rússia ter se materializado com a invasão do território ucraniano.
“Acordo para convidar a Comissão Europeia a apresentar um parecer sobre cada um dos pedidos de adesão à UE apresentados pela Ucrânia, Geórgia e Moldávia “, disse Macron no Twitter, após uma reunião dos embaixadores dos 27 membros perante as instituições comunitárias. em que analisaram a questão.
Recorde-se que de acordo com o artigo 42.7 do Tratado de Lisboa, documento de organização da União Europeia, os países membros devem defender militarmente outro membro que seja atacado. Portanto, a integração desses países ao bloco levaria a União Europeia à guerra com a Rússia.
O presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, foi o primeiro a iniciar o processo, assinando o pedido de adesão à União na semana passada, poucos dias após a invasão russa, iniciada em 24 de fevereiro.
“Se quiserem mostrar que estão conosco, vão acelerar o processo e nos permitir entrar antes que a Rússia nos destrua”, disse Zelénski em videoconferência perante o Parlamento Europeu no dia seguinte ao anúncio.
Logo após, Moldávia e Geórgia, dois países que também estão sob ameaça de invasão da Rússia, seguiram o exemplo. A Moldávia é um país vizinho da Ucrânia, que atualmente possui uma região conhecida como Transnístria, onde existem guerrilheiros separatistas pedindo independência. Respondendo a este pedido, a Rússia enviou tropas para este território em 2005 e desde então tornou-se um enclave militar russo.
Por sua vez, a Geórgia já foi vítima de uma invasão em 2008. Quando novamente sob a desculpa de reconhecer a independência de um território dentro do país em questão, eles lançaram uma invasão em grande escala. Naquela época, Putin conseguiu manter Abkhazia e a Ossétia do Sul, territórios que permanecem ocupados até hoje.
O Executivo europeu vai preparar um relatório no qual avaliará se os governos sediados em Kiev, Chisinau e Tbilisi cumprem os critérios para se tornarem países candidatos à adesão ao bloco, incluindo o respeito pelos valores fundamentais da União, a existência de instituições estáveis que garantem a democracia, bem como uma economia de mercado.
Quando Bruxelas concluir sua avaliação, que é o primeiro passo de um processo que costuma durar anos, os países da União Europeia devem aprová-la por unanimidade e só então podem começar as negociações de adesão. De qualquer forma, tanto Zelénski quanto Maia Sandu e Irakli Garibashvili pediram que a adesão fosse uma emergência, dada a “iminente” invasão russa.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula Von der Leyen, assegurou na semana passada que “ainda há um caminho pela frente” para concluir com sucesso este processo de alargamento, mas que quer que entrem antes de maio.
*Com informações da Bles Espanha