Venezuela mantém 24 jornalistas presos apesar de promessa de libertação de presos políticos

Pelo menos 24 jornalistas, comunicadores e trabalhadores da imprensa seguem presos na Venezuela, segundo levantamento divulgado pelo Sindicato Nacional dos Trabalhadores da Imprensa (SNTP) em comunicado publicado na rede social X. A entidade afirma que as prisões são ilegais e arbitrárias e alerta que o número de casos continua aumentando, à medida que familiares, antes receosos de denunciar por medo de represálias, passam a tornar públicas novas detenções. O comunicado, que traz a mensagem “Liberdade para todos”, atualizou a lista de presos com a inclusão dos casos de Jonathan Carrillo e Deivis Correa.


O SNTP aponta que as detenções estão relacionadas ao exercício do jornalismo independente, à divulgação de opiniões críticas ou à atuação política dos comunicadores. Segundo o sindicato, os profissionais costumam ser acusados de crimes como terrorismo, incitação ao ódio e associação criminosa, frequentemente sem respeito ao devido processo legal e sem acesso efetivo à defesa.

Quase uma semana após o anúncio feito por Jorge Rodríguez, presidente da Assembleia Nacional, sobre um processo de libertação de presos políticos, os jornalistas e comunicadores citados no relatório do SNTP continuam privados de liberdade. A lista, atualizada até 12 de janeiro de 2025, inclui nomes como Ramón Centeno, ex-repórter do Últimas Noticias, preso em fevereiro de 2022 enquanto investigava casos de narcotráfico e posteriormente vinculado pelo governo à operação “Manos de Hierro”; Jonathan Carrillo, estudante e funcionário da Assembleia Nacional, que após passar três anos no El Helicoide foi transferido para o presídio Yare II, sem que seu julgamento tenha sido iniciado; e Carlos Julio Rojas, acusado de envolvimento em um suposto atentado contra Nicolás Maduro e mantido detido no El Helicoide.

Também constam na lista Luis López, preso em La Guaira e acusado de incitação ao ódio, associação criminosa e financiamento ao terrorismo, atualmente no presídio El Rodeo I; Gabriel González, integrante da equipe de imprensa de María Corina Machado, acusado de terrorismo, incitação ao ódio e associação criminosa, detido em Yare II; e Deivis Correa, jornalista formado pela Universidade Católica Santa Rosa, apresentado no El Helicoide e acusado de seis crimes, entre eles terrorismo e associação com governo estrangeiro.

O SNTP também documentou os casos de Roland Carreño, jornalista e dirigente do partido Vontade Popular, preso pela segunda vez após as eleições presidenciais e detido no El Rodeo I; Víctor Ugas, detido após um confronto com um influenciador digital, acusado de incitação ao ódio e lesões leves, e transferido para o presídio de Tocorón; e Ángel Godoy, redator do portal Punto de Corte, capturado em Yare III por homens encapuzados.

A relação inclui ainda Julio Balza, fotógrafo da equipe de María Corina Machado; Leandro Palmar e Salvador Cubillán, presos durante protestos em Maracaibo; Rory Branker, editor do portal La Patilla; Juan Francisco Alvarado, estudante de jornalismo detido no estado de Portuguesa; Nakary Ramos e Gianni González, do site Impacto Venezuela; Mario Chávez Cohen, ativista preso em Valência; Juan Pablo Guanipa, comunicador social desaparecido desde sua detenção; Carlos Marcano, professor universitário transferido para Tocorón; Rafael García Márvez, presidente da Associação de Colunistas do Estado Carabobo; Carlos Lesma, locutor e diretor da rádio Señal 94.9, em Nueva Esparta; Omario Castellanos, detido em Barquisimeto; Yorbín García, apresentado à Justiça e mantido em Yare III; e Nicmer Evans, detido pelo Sebin em Caracas e encarcerado no El Helicoide.

De acordo com o sindicato, os casos fazem parte de um padrão de perseguição e criminalização do jornalismo na Venezuela, que inclui ainda censura, bloqueio de veículos digitais, fechamento de emissoras de rádio e a imposição de medidas judiciais contra profissionais que investigam ou divulgam temas considerados sensíveis. O SNTP, em conjunto com organizações internacionais, cobra a libertação imediata dos comunicadores presos e o respeito à liberdade de imprensa no país.

Paralelamente, o governo venezuelano e organizações não governamentais divulgaram novas libertações de presos em diferentes unidades prisionais, com números divergentes. O Ministério do Serviço Penitenciário informou a libertação de 116 pessoas, sem detalhar nomes ou critérios. Já a ONG Foro Penal confirmou mais de 56 libertações, enquanto a organização Justiça, Encontro e Perdão (JEP) apontou 53 excarcerados. A Plataforma Unitária Democrática (PUD), por sua vez, afirmou que apenas 24 presos políticos foram libertados desde a última quinta-feira, o que representaria pouco mais de 2% dos cerca de 1.000 detidos por motivos políticos contabilizados pela oposição.

Desde então, familiares de presos políticos permanecem em vigília diante de centros penitenciários, como o El Rodeo I, no estado de Miranda, aguardando informações oficiais sobre a libertação de seus parentes, sem que as autoridades tenham divulgado uma lista oficial dos beneficiados.


Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *