A RETOMADA CONSERVADORA NOS EUA.

Aliado de Donald Trump retoma estado da Virgínia.

O partido democrata de Joe Biden sofre derrota gigante nas eleições do antes dominado pelos democratas, estado da Virgínia. A baixa popularidade do presidente, devida a suas sucessivas atitudes desastrosas e a verdadeira overdose de pautas identitárias por parte dos democratas, têm pendido a balança em favor dos republicanos. 

Para muitos, a derrota de Donald Trump, mesmo sob diversas suspeitas de fraude eleitoral, foi um verdadeiro balde de água fria na reação conservadora por todo mundo. Aqueles que não acostumados a acompanhar, não vivem o dia-a-dia da política, e que por isso não conseguem enxergar a agitação que ocorre em águas profundas, tendem a pensar que após a eleição as esperanças de mudança para os conservadores se esvaíram. 

Uma grande vitória para os republicanos no estado da Virgínia, porém, é uma amostra do que está acontecendo nos EUA. Glenn Youngkin, candidato republicano, venceu as eleições. 

 O milionário de 54 anos, casado e pai de 4 filhos, venceu o pleito, não só conquistando o voto de conservadores, mas angariando votos dos democratas. Seu discurso, diz-se, mais polido que o de Donald Trump, foi decisivo para a conquista do voto feminino no estado, além disso o republicano não abriu mão da guerra cultural e optou por concentrar a campanha em temas locais dessa guerra, como o aborto, a obrigatoriedade do uso de máscaras e o ensino da “teoria crítica da raça” (corrente de pensamento que analisa o racismo como um sistema que permeia todos os níveis da sociedade para além dos preconceitos individuais).  

A vitória é considerada um termômetro para as políticas do presidente Joe Biden, um duro golpe na definição de quem assumirá o controle do congresso em 2022, democratas ou republicanos, em desfavor dos democratas, e ainda um alerta para as eleições presidenciais de 2024. 

Joe Biden

Essa vitória acena também 2 pontos importantes: 

  1. Trump perdeu as eleições, mas está fazendo uma verdadeira purificação no partido republicano, tomou o controle do partido e vem recuperando o nacionalismo da legenda. Nas sombras, Donald Trump vem sendo o homem mais poderoso da América, isso por que, fez mudanças necessárias num partido que vem se tornando cada vez mais forte. 
  2. O partido republicano tem feito um ótimo trabalho direcionado. Não apenas essa vitória na Virgínia foi expressiva, mas outras também aconteceram aumentando o impacto da derrota dos democratas. 

Para reforçar a reação conservadora, se somam alguns acontecimentos que saltam aos olhos. Em New Jersey, por exemplo, um caminhoneiro, Eduard Durr, com um investimento modesto na campanha, venceu o milionário e influente democrata, presidente do senado estadual, Steve Sweeney, e agora ocupará o cargo de senador estadual; a presidência, porém, Steve Sweeney passa a outro democrata. Eduard Durr disse após a vitória: 

“Não aconteceu por minha causa. Não sou ninguém. Sou apenas um cara simples… Foi um repúdio às políticas que foram forçadas a engolir em nossa garganta, as pessoas disseram que não podem ir à escola, não podem ir às compras. Não se pode continuar a dizer às pessoas que elas não podem fazer coisas quando vivemos no mais livre país no mundo.” 

…Eu quero esse trabalho. Não quero toda a fama, mas quero esse trabalho”, disse Durr. “Eu quero ser a voz. Eu quero ser alguém que pode falar pelas pessoas. Porque, primeiro, eu tenho uma boca grande, então eu gosto de me fazer ouvir.” 

Eduard Durr
Eduard Durr

O democrata Steve Sweeney, se nega a admitir a derrota. Estrategistas e políticos dizem que nenhuma outra corrida em Nova Jersey foi tão surpreendente quanto a corrida Durr-Sweeney.  O que está ocorrendo nos EUA é uma forte guinada nos estados para a direita, para os valores conservadores, e lá, sabemos da importância, devido a independência de cada estado, de que isso aconteça dessa forma. Isso mostra a força desse novo partido republicano e as tendências nacionalistas as quais o ex-presidente Donald Trump defende.

Que seja um exemplo aos brasileiros que, depois de assistirem a vitória avassaladora do presidente Jair Bolsonaro em 2018, num sistema presidencialista, assistiram também, durante a pandemia, e com efeitos até agora, a decisão, pelo Supremo Tribunal Federal, de entregar a governadores e prefeitos a autonomia das medidas de combate a pandemia, responsáveis pela adoção, nos principais estados, de medidas autoritárias e inconstitucionais, como os lockdowns, sob pretexto de combate a essa pandemia, sobrando ao Governo Federal, a injeção de recursos e a culpa das consequências das medidas que os governadores tomaram, sendo inclusive objeto de uma CPI baseada em narrativas. 

A necessidade de uma base cujos interesses sejam em consonância com os do povo brasileiro precisa ser pensada, se a direita, os conservadores, almejam não passar por um novo período de autoritarismo descentralizado.  

 

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